Uma conversa com a bióloga Nurit Bensusan: desesperança e o imperativo ético

Imagem: Youtube Estudio Fluxo

Autor:  Nurit Bensusan para Estudio Fluxo (Bruno Torturra)

Diversas análises tentam interpretar a pandemia através de vários temas e tópicos que ela suscita como economia, politica, sociedade, psicologia, saúde publica mas tem um tema que esta na essência da pandemia que seguem tratando a forma de pensar de forma periférica que é a dimensão ecológica. Antes de tudo uma pandemia é um fenômeno biológico que diz respeito à uma disfuncionalidade profunda da nossa forma de se relacionar com a natureza e as outras espécies.

Nessa conversa, a bióloga, escritora e ambientalista Nurit Bensusan trata a pandemia como um sintoma de nossa relação doente com a natureza. Aborda ainda o antropoceno, o caráter predatório do ser humano, pessimismo, desesperança ambiental e o imperativo ético de se manter no ativismo e da defesa dos ecossistemas.

Nurit afirma que é mais conveniente tratar a pandemia como um acaso, uma causalidade, como se não fosse, de fato, um resultado da forma que nós temos de estar no mundo e se relacionar com a natureza. A pandemia põe em cheque nossa forma de ocupar as áreas naturais, de lidar com as outras espécies, cultivar, as monoculturas,  a produção de proteína animal em grandes fazendas, animais confinados e toda forma de produção e nossas escolhas de consumo. Tudo está relacionado à origem da pandemia. Há uma tentativa de evitar fazer essa correlação entre a ecologia da pandemia e toda nossa forma predatória de lidar com a natureza.

Fala sobre a possibilidade de novas pandemias e transbordamento de virus entre espécies que pode aumentar com as mudanças climáticas. E aborda ainda a dificuldade que temos em imaginar um outro mundo. Sobre como estamos sendo adestrados pelo capitalismo como se essa fosse a única forma de se estar no mundo.