O que é cultura regenerativa?

Foto: Instagram Futuro Possível

Autor: Movimento Futuro Possível

A pandemia suscitou um debate sobre mudança do sistema, da nossa forma de estar no mundo e se relacionar com a natureza. E os temas cultura regenerativa e regeneração global têm sido bastante frequentes nas discussões.

Futuro Possível é um movimento que investiga futuros possíveis a partir da lente da regeneração. Abaixo um compliado extraído do perfil no instagram sobre O que é cultura regenerativa?

Cultura regenerativa é aquela que entende que não dá mais pra viver em competição e separação. Precisamos aprender a colaborar na cura do todo. Sustentabilidade não é suficiente porque significa sustentar o modelo mental e o modo de vida e de fazer negócios de hoje que é insustentável. Significa romper com o mundo em colapso e cocriar um mundo que funcione para todos, incluindo nesse todos o planeta terra e todos os seres que aqui habitam. Devemos investigar a maneira como nos vemos para poder realizar ações transformadoras efetivas. Precisamos buscar a integridade que, na visão de Daniel Wahl, significa entender que “…como participantes cocriativos no mundo em que vivemos, todos podemos contribuir para a transição para uma cultura de fato sustentável, resiliente e próspera, saindo da confusão em que estamos, para além da sustentabilidade, ir na direção da prosperidade de toda comunidade da vida”.

“A regeneração do planeta significa, no campo dos negócios, que a sustentabilidade não é suficiente porque prevê a sustentação do modelo de vida estabelecido. Nós não sobreviveremos muito consumindo tanto do planeta por conta do nosso estilo de vida urbano. O consumo é um problema. Ponto. O mercado é responsável pelo que promove e por décadas o que vem sendo promovido é o consumo excessivo que pressiona os limites planetários. Além de promover a desigualdade social.
Regenerar o planeta passa pela compreensão de que os negócios não só precisam promover outras narrativas como também colaborar com a distribuição de renda, de poder e com a criação de processos de produção que não só não afetem o meio ambiente como colaborem para a sua regeneração”.

“Transição de narrativas: da era da separação para a era do encontro.
Vivemos a transição entre a velha história da separação e a nova história do Interser. Na narrativa da separação, que ganhou força com a revolução industrial, vivemos histórias guiadas pela concorrência, pela escassez, pela alienação da natureza, pela dissolução da comunidade e exploração do planeta. Nessa Era, a ciência substituiu a misticismo, a tecnologia substituiu o ritual e nós, seres humanos, passamos a ter a errônea ideia de que somos os senhores e possuidores da natureza. É a era da dominação, da conquista, da violência e da separação.

Já a narrativa do Interser, busca contar uma história que reúne a humanidade e a natureza, o eu e o outro, o trabalho e a diversão, a disciplina e o desejo, a matéria e o espírito, o homem e a mulher e tantas outras polaridades. O preceito fundamental da nova história é que não somos separados do universo e nosso ser participa do ser de todos e de tudo.

Somos muito mais do que acreditamos até então: maiores do que apenas um ego encapsulado debaixo da pele, uma alma embalada num corpo solitário. A nova história do Interser é portanto a história do encontro. Ela proclama nossa interdependência com outros seres, não apenas para sobreviver mas para existir. É essa história que nos une em tantas áreas como ativismo e regeneração. Quanto mais agirmos a partir dela, mais capazes seremos de criar um futuro que a reflita”.

“Muitos pensadores visionários têm oferecido versões do que poderia ser A Nova História do Interser, mas ainda não conseguimos encontrar a verdadeira história das pessoas: uma narrativa que dê sentido ao mundo e direcione a atividade humana em direção à realização de um futuro mais bonito. Ainda não estamos prontos para tal história, porque nos encontramos em um momento de mudança de paradigmas, em um vazio entre as histórias. Apesar de conseguirmos vislumbrar pedaços de uma narrativa sistêmica que quer emergir, a antiga narrativa da separação ainda existe, embora em farrapos. Nessa transição, conseguimos perceber que nossos modos tradicionais de agir, pensar e ser deixaram de fazer sentido mas não sabemos muito bem como prosseguir. Como podemos criar um futuro que não reflita esse antigo paradigma de volta para nós? Como podemos recriar a forma de narrar nossa história a partir do novo, sem ficarmos presos na armadilha da repetição? Conforme compreendemos essa nova narrativa que nasce, vamos descobrindo juntos as respostas. Respeitar o período de transição entre as histórias como um espaço sagrado e de cura é essencial para percebermos que é nele que estamos em contato com o real: nesse momento a humanidade adormecida desperta à medida que aprendemos quem somos e qual nosso papel na teia da vida”.