Metáforas de guerra usadas para Covid-19 são atraentes mas também perigosas

Foto: FRANK GUNN/ THE CANADIAN PRESS

Autor: Costanza Musu para The Coversation

As figuras de imagens de guerra são convincentes. Identifica um inimigo (o vírus), uma estratégia (“achatar a curva”, mas também “salvar a economia”), os guerreiros da linha de frente (pessoal da área de saúde), a frente (pessoas isolando em casa), os traidores e desertores (pessoas que violam as regras de distanciamento social). Além disso, destaca a urgência subjacente a decisões políticas drásticas, como o fechamento de escolas, a imposição de proibições de viagens e a paralisação das economias em todo o mundo. Apela ao senso de dever e obrigação dos cidadãos de servir na hora de necessidade de seu país.

Certamente não é a primeira vez que líderes e formuladores de políticas usam a metáfora da guerra para descrever uma ameaça que não se qualifica como militar. Pense na guerra contra a pobreza, o câncer, a imigração ilegal, sem mencionar a guerra às drogas ou ao crime.

Embora altamente atraente como ferramenta de retórica política, a metáfora da guerra esconde várias armadilhas que, no caso da pandemia do COVID-19, são particularmente perigosas. O uso da metáfora da guerra embaralha categorizações de maneiras insidiosas. Por exemplo, não somos mais cidadãos; agora somos “soldados” em um conflito. Como tal, os políticos pedem mais obediência do que conscientização e apelo ao nosso patriotismo, não à nossa solidariedade.

É sob o disfarce dessas categorizações que já vimos, em todo o mundo, mudanças perigosas em direção ao poder autoritário.